domingo, 29 de abril de 2012

Especial: Engenheiros do Hawaii XII

Tchau Radar 1999


Esse trabalho custei um pouco a gostar. Tem grandes músicas que fui dar valor no disco posterior. É bem melhor do que o Minuano. Acho que é um trabalho que mostra mais maturidade. Perde aquela criatividade juvenil, mas ganha letras mais reflexivas. Não digo que são melhores do que as compostas na década de 80, até porque acho aqueles discos geniais, mas você sente um Humberto Gessinger adulto.

Eu que não amo você é uma canção composta para Porto Alegre. Foi durante um período em que Humberto estava voltando, literalmente, de mala e cuia para a capital gaúcha. Note alguns trechos “Senti saudade, vontade de voltar, fazer a coisa certa aqui é o meu lugar, mas sabe como é difícil de encontrar, a palavra certa a hora de voltar”.

Negro amor é uma versão de “It's all over now, baby blue” de Bob Dylan. Foi gravado ainda na década de 70 por Gal Costa. Concreto e Asfalto tem a inteligência e percepção na junção de idéias. Destacaria ainda, 3x4, canção que Humberto fez para homenagear a esposa, Adriana. Uma bela declaração de amor. “Diga verdade uma vez na vida, você se apaixonou pelos meus erros. Que eu perdi as chaves, mas que cabeça minha agora vai ter que ser para toda vida”.

Acho um disco muito conceitual. As músicas do album, como um todo, falam dessa “tônica” de recomeço e se apegar as origens. Para os saudosistas, recomendo ouvir o disco sem preconceitos do tipo “mas não é a mesma coisa do início de carreira”. De fato, não é, mas é um bom disco.

Músicas
1 - Eu Que Não Amo Você
2 - Negro Amor (Bob Dylan/Péricles Cavalcanti)
3 - Concreto & Asfalto
4 - Até Mais
5 - Nada Fácil (Humberto Gessinger; Luciano Granja; Lúcio Dorfman)
6 - O Olho Do Furacão
7 - Seguir Viagem
8 - 10.000 Destinos (Humberto Gessinger; Lúcio Dorfman)
9 - Na Real
10 - 3x4
11 - Melhor Assim
12 - Cruzada (Márcio Borges; Tavinho Moura)



segunda-feira, 23 de abril de 2012

Coisas de Little Fall's: Clube dos Feios

Por muito tempo, o Clube da Saudade era parada para quem procurava um “aconchego”. Baile popular que reunia gente de tudo quanto era espécie, o local ficou carinhosamente conhecido como o “Clube dos Feios”. O repertório com o som das bandinhas como Terceira Dimensão, Os Atuais, Musical JM, Brilha Som, entre outros. A diversão era garantida. Mas para você sair acompanhado, normalmente, deveria estar “levemente” alcoolizado, por que a coisa era feia.

Para quem é de Cachoeirinha e não se lembra, o Clube da Saudade ficava na rua da Igreja (Papa João XXIII). Na mesma rua tinha ainda mais uma casa de festa e outra de “prazer terreno, onde os homens eram tratados como reis”. Bons tempos, a juventude que estudava no Rodrigues Alves (inclusive eu) conseguia observar essas “maravilhas” da cidade.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

“Detalhes tão pequenos”

A máxima “quem é rei nunca perde a majestade” serve perfeitamente para Roberto Carlos. Um artista completo. Não tenho dúvida em dizer que ele é o maior cantor popular brasileiro. Não estou menosprezando nenhum outro grande artista, apenas fazendo uma constatação. Ele conseguiu agradar todas as classes sociais com sua música romântica. Aos 71 anos, completados neste dia 19 de Abril, ele continua emocionando e levando multidões aos shows.
Muitos questionam que a música feita por ele nos últimos 20 anos, não tem a mesma qualidade do que era feito em início de carreira. Acho estranho uma afirmação dessas quando ele continua sendo um dos artistas que mais vende discos no Brasil. Mas tenho que concordar que a inspiração do passado virou mais transpiração nas letras do cantor.

Comecei a gostar do som de Roberto Carlos ainda quando era uma criança. Meu pai, fã incondicional, tinha diversos discos e fitas com músicas do cantor. Para que o filho assimilasse as canções do rei e pegasse gosto não demorou muito. Lembro que o disco que adorava ouvir na infância era o “Roberto Carlos canta para a Juventude”, de 1965. As minhas favoritas desse álbum eram: "Os Sete Cabeludos", "Os Velhinhos","Eu Sou Fã Do Monoquíni", "Aquele Beijo Que Te Dei" e "Não Quero Ver Você Triste". Acho que deu pra notar que são quase todas as músicas do disco.



Depois, já na adolescência, fui buscar conhecer mais discos dele. Meu amigo Jone, outro fã do rei, tinha todos os álbuns dele. Ali, consegui aprofundar o conhecimento no repertório do rei. Dessa pesquisa, cito o disco em Ritmo de Aventura, 1967. Muito bom. Desse trabalho surgiram "Eu Sou Terrível", "Como É Grande O Meu Amor Por Você", "Por Isso Corro Demais" "De Que Vale Tudo Isso" e "Quando".



Na minha homenagem aos 71 anos do rei Roberto Carlos vou citar algumas frases de canções que acho uma verdadeira poesia. Mesmo elas soltas, sem contexto, falam muito. Vou listar 10, porque senão esse texto não vai ter mais fim.

“Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada. Do tempo que transforma todo amor em quase nada. Mas "quase" também é mais um detalhe” DETALHES

“Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi” EMOÇÕES

“Eu vou voando pela vida sem querer chegar. Nada vai mudar meu rumo nem me fazer voltar. Vivo, fugindo, sem destino algum. Sigo caminhos que me levam a lugar nenhum” 120, 150, 200KM POR HORA

"Eu cheguei em frente ao portão, meu cachorro me sorriu latindo. Minhas malas coloquei no chão, Eu voltei!...” O PORTÃO

“Tenho às vezes vontade de ser novamente um menino. E na hora do meu desespero gritar por você” LADY LAURA

“Jesus Cristo, Jesus Cristo, Jesus Cristo eu estou aqui”. JESUS CRISTO

“Tanta gente se esqueceu que o amor só traz o bem. Que a covardia é surda só ouve o que convém” TODOS ESTÃO SURDOS

“Mas não faz mal, depois que a chuva cair. Outro jardim um dia, há de reflorir” AS FLORES DO JARDIM DA NOSSA CASA

"Tudo certo como dois e dois são cinco” COMO DOIS E DOIS

“Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou viverna solidão. È preciso ter cuidado, para mais tarde não sofrer, é preciso saber viver”. E PRECISO SABER VIVER